quinta-feira, 12 de setembro de 2013


                 MAIS UM LANÇAMENTO DA ESCRITORA E ATIVISTA INDÍGENA 
                                                           ELIANE POTIGUARA


               Mais um livro da escritora indigena Eliane Potiguara foi lançado. Dessa vez, na famosa BIENAL DO LIVRO do Rio de Janeiro, esse ano. Trata-se do "Coco que embalava a noite" da editora Mundo Mirim.
               Eliane Potiguara é uma das mais importantes ativistas indígenas na atualidade, causa que defende a anos, o que rendeu-lhe prêmios nacionais e reconhecimento internacional.

                                     Eliane Potiguara na Bienal do livro do Rio de Jneiro, 2013.

              Ela que é autora do livro "Metade cara, metade mascara" publicado pela Global editora, tem nos livros uma importante ferramenta em prol da causa indigena.

O coco que guardava a noite - Editora Mundo Mirim - 2013

                                                            Sinopse


No princípio do mundo não havia noite nem lua. Boiuna, a Grande Serpente, põe o índio Aruanã à prova e entrega a ele o coco que guarda a noite. Será que ele vai obedecer às ordens da serpente e não abrir o fruto antes da hora?  
Por que a noite ficava confinada dentro de um coco? 
Nesse reconto originário de uma lenda karajá, os personagens precisam enfrentar o mistério da descoberta da noite, e, para isso, seguem um caminho mágico, de realidades e fantasias dessa cultura indígena.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Um curumim, uma canoa, livro lançado pela editora ZIT





Um curumim se prepara para uma grande aventura.Ele tem uma canoa e com ela segue rumo ao reino da cobra grande. Mas espere aí! Um curumim tão pequeno segue sozinho para um reino distante? Ah!Descubra como isso acontece lendo essa deliciosa história sobre um indiozinho e sua canoa.Você vai se surpreender!



Texto: Yaguarê Yamã
Ilustrações: Simone Matias
4 cores - 36 páginas - 21 x 23 cm
1ª edição - 1ª impressão


ISBN: 978-85-7933-048-3
Peso (kg)
0,165

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

VIGESIMO LIVRO DE YAGUARÊ YAMÃ É LANÇADO PELA FTD



VIGESIMO LIVRO DE YAGUARÊ YAMÃ É LANÇADO NO SALÃO DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO 2013.


Yaguarê Yamã sonhou com um livro intitulado Pequenas Guerreiras, que transforma agora em realidade com lançamento pela Editora FTD.



É a história de cinco lendárias guerreiras indígenas, filhas das amazonas, que deram nome ao estado homônimo, na região Norte do Brasil. Suas vidas se agitam quando elas resolvem brincar no lago Espelho da Lua, na região do rio Nhamundá, e são surpreendidas por indígenas inimigos.
O texto fala de pluridade cultural, retrata cenas do Amazonas e temas como brincadeiras e coragem.

O autor:
Yaguarê Yamã nasceu na aldeia Yãbetué’y, no Amazonas, em 1973. Em São Paulo, formou-se em Geografia pela Universidade Santo Amaro (Unisa). Sua estreia como escritor ocorreu em 2001, com o título Puratig, o remo sagrado. Desde então publicou 20 livros, a maior parte para crianças e jovens. Duas de suas obras foram selecionadas para o PNBE, UM para o catálogo White Ravens, da Biblioteca Internacional da Juventude, em Munique, Alemanha, e QUATRO livros foram SELECIONADOS para a feira de livros de BOLONHA, na Italia.
A Ilustradora:
Taisa Borges nasceu em 1960, em São Paulo, onde vive. Formou-se em pintura pela FAAP e pela Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris e em estilismo pelo Studio Berçot. Ilustrou mais de 50 livros e como autora, publicou seis obras, sendo cinco de imagem e uma história em quadrinhos. Foi finalista do Prêmio Jabuti em 2011 na categoria Ilustração de Livro Infantil e Juvenil, com dois títulos.

Informações técnicas
Autor: Yaguarê Yamã
Ilustradora: Taisa Borges
Formato: 20,5 cm largura X 27,5 cm altura
Páginas: 40
Acabamento: Lombada
Temas abordados: Amazonas (lendárias mulheres indígenas guerreiras), crianças indígenas, brincadeiras, coragem
Tema transversal: Pluridade cultural
Recomendação: público infantil - a partir do 3o ano
Preço sugerido: 34,90.

(Redação – Agência IN)
atualização de YAGUARÊ YAMÃ


MARAGUÁS NO CENARIO DA LITERATURA NACIONAL

OS ESCRITORES INDÍGENAS MARAGUÁS da esquerda para a direita: Elias Yaguakãg, Roni Wasiry Guará e Yaguarê Yamã. Durante o lançamento do livro "PEQUENAS GUERREIRAS" FTD, de Yaguarê Yamã, no Salao do Livro Infanto Juvenil, no Rio de Janeiro.2013




                
                              MARAGUÁS NO CENÁRIO DA LITERATURA NACIONAL

Ja não é de hoje que a LITERATURA INDÍGENA ganha destaque no cenario nacional. Desde a chegada do nome de Daniel Mundurku no mercado editorial que essa tão combatida literatura vem ganhando espaço e concretizando o que há de melhor na relação POVO INDÍGENA E POVO BRASILEIRO.
Trazendo consigo o fim dos estereótipos a muitos usado por escritores sem compromisso com a verdadeira identidade indígena, essa literatura vem cada vez mais conquistando espaço com os próprios escritores indigenas.
Entre esses escritores que acabam de destacar nesse novo cenario da literatura estão cinco escritores indígenas do povo maraguá, um povo cujo territorio, ainda em litigio com madeireiros e invasores de terra. São Eles: Yaguarê Yamã, 
                          Roni Wasiry Guará, 
                          Elias Yaguakãg, 
                          Uziel Guaynê 
                          Lia Minapoty.
As atividades exercitadas por esses escritores coloca o povo maraguá em evidencia e amplia informações a seu respeito como uma forma de divulga-lo na grande midia. Está ai s conquistas alcançadas por suas lideranças em tão pouco tempo.
Uma mostra de organização e atuação do movimento indigena aliado a essa NOVA LITERATURA INDIGENA NACIONAL.

 

LANÇAMENTO DO LIVRO YAGUARÃBOIA - A MULHER ONÇA


 LIVRO LANÇADO EM 2013, PELA editora LEYA
 

 O livro YAGUARÃBOIA - A MULHER ONÇA
foi lançado no SALÃO DO LIVRO INFANTO JUVENIL (FNLIJ) DO RIO DE JANEIRO, 2013.
Mostra mais um excelente trabalho realizado por Yaguarê Yamã em prol do movimento indigenabrasileiro, pela literatura indigena nacional. 







Sinopse: Yaguarê Yamã© escritor, Ilustrador e geógrafo formado pela Universidade de Santo Amaro – UNISA-SP. Nasceu no Amazonas e morou por muitos anos em São Paulo, onde lecionou em escolas publicas e palestrou sobre temática indi­gena e ambiental. Atua como li­der indi­gena do povo Maraguá, motivo pelo qual regressou ao Amazonas em 2004, com o intuito de lutar pelos direitos de seu povo e pela demarcaçao de sua terras no rio Abacaxis. Desde 2011 mora na cidade de Parintins, no Amazonas, onde leciona para o ensino medio em escola publica. É casado com a tambem escritora Lia Minapoty.
Como ilustrador, ilustrou seus próprios livros e de autores consagrados como Daniel Munduruku. Vários de seus livros foram selecionados pelo PNBE, além de receber prêmios como o internacional The White Ravens (seleção da Biblioteca de Berlim/ Alemanha) com o livro Sehaypóri, o livro sagrado do povo Sateré-Mawé (editora Peiropolis) livro que também representou o Brasil na seleção da Biblioteca de Bolonha – Italia.

sábado, 1 de junho de 2013



MEU NOVO LIVRO COM ILUSTRAÇÕES DE UZIEL GUAYNE

"Você está preparado para conhecer a história de
Myrakãwéra?
Yaguarê Yamã reúne a lenda dos parintins e dos maraguás,
povos indígenas do Amazonas, para contar as incríveis
aventuras dos curumins Ãgnáw e Ãgapany na região
amaldiçoada de Myrakãwéra.
Ninguém está a salvo dos temidos mortos-vivos e das
formigas gigantes que aterrorizam o lugar!"

publicado pela EDITORA BIRUTA, esse livro pertence a ordem da LITERATURA FANTASTICA, E SERÁ LANÇADO EM JUNHO, NO SALÃO DO LIVRO DA FNLIJ, NO RIO DE JANEIRO.


EDITORA BIRUTA, ANO 2013
AUTOR YAGUARE YAMA
ILUSTRADOR UZIEL GUAYNE

domingo, 9 de dezembro de 2012

Mais doisl ivros lançados pela Editora Peiropolis


Mais dois livros lançados pela editora Peiropolis, uma editora preocupada com as minorias e que dá espaço a essa parte da sociedade brasileira.

* A origem do Beija-flor - Livro Bilingue Portugues-Maraguá que mostra a sociedade brasileira o lado humano e simples de um povo cuja lingua corre risco de extinção.

* Contos da Floresta - Livro que narra contos engraçados e ao mesmo tempo assutadores, igual e da mesma forma que os contadores de historias indigenas contam aos seus filhos aos pores-de-sois em suas aldeias.

Uma homenagem de Yaguarê Yamã

Um verdadeiro livro de tematica indigena e brasileira

                    Um dos mais mais lindos livros de minha autoria, que mostra de uma maneira clara e objetiva aos adultos e crianças do Brasil a melhor pratica da Lingua Tupi, a verdadeira lingua Brasileira.
                      A editora Pallas, grande divulgadora da cultura afro-brasileira, agora aporta no universo da literatura Indigena com o livro FALANDO TUPI, de minha autoria, vale lembrar da importancia que se deve dar ao escritor nativo. O conhecimento de dentro é a certeza do cuidado com a verdade sobre a tematica.
                     As ilustrações de Geraldo Valerio trasnforma esse livro no icone da atualidade no que há de melhor da literatura infantil e de tematica indigena.
 
 
Por Yaguarê Yamã

sábado, 8 de dezembro de 2012


PORTUGUÊS NÃO! LINGUA BRASILEIRA



... PRONTO! FALEI.


                            Não sei por que pessoas que se autodenominam cultas não reconhecem a língua brasílica? Essa língua tão bonita, formada a partir das entranhas da língua portuguesa e mescladas com o Tupi antigo e línguas africanas. Teimam em chama-la de Língua Portuguesa, alguns para não exagerar no erro, tentam o jeitinho brasileiro e a chamam de “Língua Portuguesa do Brasil”. Mas ai vem em mim a duvida: O português não é único? Por que então há um português europeu e outro no Brasil? Alguém me disse um dia que o motivo do não reconhecimento é puramente politico. Não querem desvincular-se da cultura portuguesa. O interesse em manter-se atrelado ao português como parte do português é geopolítico, vendo nisso uma maneira mais fácil de manter em evidencia. Para mim é desculpa. O Brasil é bem mais influente que Portugal e já a tempos que é o que é: potencia mundial. Acredito por alguns motivos que ele carrega Portugal e sua cultura portuguesa nas costas. E sozinho. Parece até que a metrópole era o Brasil e a colônia era Portugal. Não sei também porque motivo meus ancestrais os índios do Brasil se deixaram colonizar-se por tão pouco. Tão pouca gente, tão pouca solidez e por um pequeno reino nas bordas da Europa, exprimido nas falésias do continente, nos barrancos ocidentais do mesmo. Os nossos eram muitos, mas ai é que está o erro: A ignorância nos faz pequeno e a desunião nos transforma em fracos. Porem isso já faz tempo, não dá mais para voltar atrás. Entender a história é que hoje é valido.

             Aí volto à questão da “Língua Portuguesa do Brasil”.  Eu que sou professor de geografia para o ensino médio, na rede estadual de ensino no estado do Amazonas, observo os alunos se esforçarem em aprender na escrita a oficialmente chamada “norma culta”. Sem entender o porquê de estuda-la sendo que não a praticam no cotidiano. Uma vez, um deles me disse: - Os portugueses é que são inteligentes: Sabem falar português tão bem na norma culta! Enquanto isso, nós brasileiros, poucos a falamos, só falamos errado... Nesse linguajar das ruas.” Mas pensando bem... A resposta é obvia. É esse “linguajar das ruas” que é a nossa língua verdadeira. E não só o linguajar das ruas, mas o linguajar das favelas, das roças, dos rios, dos sertões, dos pampas, dos pantanais, dos centrões, dos igarapés... Nas mais altas favelas do Rio de Janeiro, passando pelos baixos campos gaúchos até as longínquas regiões da Amazônia brasileira, onde possa habitar um “matuto, um malandro, uma mano, um gaúcho, um pantaneiro, um caboco” um caipira, um “arigó”. Juntando todos eles é que formamos a Nossa Língua. A Língua brasílica – a língua dos brasileiros. Não a que estudamos. Língua culta para nós, é a língua do cotidiano dos portugueses. E aqui nós precisamos nos esforçar para atua-la. Isso não é um exagero? Se torna fácil para um português por ser obvio. A língua é portuguesa e por tanto é língua dos portugueses, não é língua dos brasileiros, a língua dos brasileiros está aqui: “Amigo, me dá um cigarro...” ou “amigo, mim dá um cigarro...” E isso infelizmente não é valorizado. As autoridades ignoram nosso verdadeiro idioma, os intelectuais da linguística, “senhores absolutos do Português e seus fieis escudeiros” a suprimem desde sua origem (favelas, ruas, florestas, sertões...) e retaliam a todos que ousam afronta-la na sua norma mais “pura”.  Assim, nós mortais e subjugados brasileirinhos acorrentamo-nos atrelados a esse vicio de viver papagaiando o sintaxe lusíada.

                                                                                                       Por Yaguarê Yamã

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Um livro que mostra as belezas do povo Maraguá

Um novo livro dos autores indigenas Yaguarê Yamã e Lia Minapoty é lançado.

Trata-se do " A arvore de carne", publicado pela editora Alaude através do Selo Tordesilhas.
Com visões amplamente indigenas seguindo as caracteristicas de contar historias tradicionais, buscamos com isso aprofundar mais os laços  entre a cultura indigena e a sociedade não-indigena.

 Esse é um livro que nos fez repensar muito de nós como lideranças indigenas e nossa atuação como autores.
Um livro que mostra a cultura indigena e seu vinculo com a terra e com a esencia da natureza. Acredito que de todos meus livros, esse é o que completa ou une o que há de mais especial da inspiração indigena com a literatura. 

Agradecemos a todos os que nos apoiam e atuam para fazer da literatura indigena mais divulgada e valorisada. Um agradecimento em especial a nossos amigos Leda Cintra, Joacyr Pereira Furtado, Daniel Munduruku, Daniel Gulassa, Cristino Wapixana, Denise Cantuaria, Renata Borges, Edina Martins, Ione Melonne Nasar, Suzi Sertã, Ciciliane Alves, Luis Helmister, Rene Kintawlu, Tino Freitas, Ana Paula, Andrea Monteiro, Joyce Belyt, Olivio Jekupé, Elias Yaguakãg, Uziel Guayne, Lucia Mynssen, Rafael Crespo e Mariza Foá.
A arvore de carne
Editora Alaude (Tordesilhas)

Autores: Lia Minapoty e Yaguarê Yamã
ano: 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A LENDA DO KAWÉRA


                        Kãwéra que em língua maraguá significa “esqueleto velho” é uma entidade da mitologia Maraguá. Ser horripilante, dá arrepios nos ouvintes das tradicionais narrativas noturnas, hora em que a aldeia, quieta, ouve com atenção as antigas historias de “visaje” contadas por dezenas de “morõgetánhe~gaçara” (contadores de historias maraguá)- mestres das narrativas e especialistas em deixar os ouvintes de cabelo em pé.
                        Temíveis homens-morcegos, os Kãweras são sedentos de sangue e famintos de carne-humana. Raça de seres malignos e perseguidores dos maraguás, por isso mesmo, seu maior inimigo no campo místico e religioso.            
                       Implacáveis caçadores de gente, os Kãweras receberam originalmente o nome de Zorak, o que em língua maraguá quer dizer: “filhos do demônio”. Esses foram os primeiros morceganjos.
                     Menos humanos que os atuais, os Zorak eram criaturas lúgubres, metade gente metade morcego e habitavam as escuras cavernas da ilha que fica em meio ao lago sagrado Waruã, um lago encantado de águas escuras, que nunca está dois dias num mesmo lugar, pois desaparece sempre após os por-de-sois e que existe desde o inicio da criação do mundo quando Gwaziry, filho de Monãg, criando os rios, deixou escorrer parte da água que corre nas profundezas do submundo Pa’ãguáp, morada de Anhãga, o deus do mal e inimigo de seu pai, o senhor do universo segundo a religião Urutuópiãg dos maraguás.
                   Foi na época em que o semi-deus Gwaziry ainda  habitava entre os humanos que eles foram  criados. Anhãga foi quem os fez a partir do sangue de seu dedo empuquecado com a erva sagrada anhãga’pyra’ãga. Dessa mistura nasceram os Zorak.
              Os Zorak enxergavam pouco. Talvez seja por isso que segundo a lenda não puderam impedir sua extinção frente a esperteza dos heróis Ebenzekê, Parket e Ezayerê únicos humanos que ousaram enfrentá-los.
               Eles efetuaram uma matança geral e puseram fim em sua moradia no lago sagrado, porem não impediram a fuga de Ezamume, seu líder máximo, que fugindo, voou até a cabeceira do rio Kãwera e lá criou uma nova colônia.
              Ezamume, desde que foi derrotado pelos maraguás e precisou fugir pelo teto, enquanto os quatro heróis abatiam seus iguais com fortes tacapes e ateando fogo na caverna, procura se vingar, atacando os índios que se encontram distante das aldeias ou próximo ao seu atual refúgio – uma gigantesca arvore localizada na cabeceira do rio Kãwéra, afluente do rio Abacaxis.
             Ele perdeu a batalha, mas não a guerra. Voando em direção a cabeceira do rio Kãwera, no caminho pousou sobre uma aldeia onde agarrou com suas enormes garras uma mulher índia chamada Potãga e a seqüestrou. Com essa mulher ele teve relações e passado dois anos, já não era somente Ezamume, mas uma porção de filhotes de morcego-gente, todos parecidos com ele e com   sua mulher, dando origem a uma forma mais humana dos Zorak, pois alem de terem o poder do pai, tinham o DNA da mãe. Dessa maneira aparecerem os Kãwéras.      
              Os Zorak atuais continuam vivendo como Ezamume, dentro de uma gigantesca arvore, servindo-se de buracos fétidos para entrar e sair, momento em que vão caçar gente para seus banquetes. Sua aparência não é muito agradável: Mistura de morcego e gente, tem a cabeça de cachorro e os braços grudados a grandes asas pretas das quais se prolongam enormes garras. Seus olhos chispam fogo e sua língua tem formato de língua de serpente, assim como sua calda. Dizem também que são poucos, mas que em tempos antigos eram muitos, e suas colônias dominavam todo o percurso do rio Abacaxis.
               Quanto a Ezamume, mesmo depois de muito tempo, ainda vive. Dizem que gostou tanto de ter relações com humana que desde que seqüestrou Potãga, já fez filho em dezenas de mulheres índias e algumas brancas, dando origem a Kãweras brancos, também chamados de Albinos, esses, dizem, são os mais malvados, e preferem atacar povoações não-indias, de pessoas recém chegadas a floresta.
             Hoje Ezamume já está velho, pouco sai do buraco da grande arvore, prefere esperar que seus filhos tragam carne fresca em seu paradeiro.
                Certa vez, um grupo de caçadores Maraguás tentando chegar a cabeceira do rio Kãwera depararam-se com uma enorme arvore. Então se lembraram da lenda contada de geração em geração, desde os mais antigos malylis (como são chamados os pajés na língua maraguá) e constataram sua veracidade.
              Tentaram continuar viagem, mas quanto mais se aproximavam da arvore, mais sentiam um forte cheiro de urina de morcego. O fedor era tanto que suas cabeças começaram a doer de uma tal forma que mal podiam caminhar. Alguns deles chegaram a cair no chão atordoados, mas foi só.
              Sem ter como continuar, deram meia volta e ainda viram um enorme buraco em cima do grosso tronco daquela arvore assustadora.
               Contaram o acontecido ao malyli da aldeia e ele confirmou: - É lá a morada de Ezamume e dos seus filhos.
            Nunca mais houve outra expedição para aquelas bandas, mesmo porque convictos de sua existência, os maraguás não ousam chegar próximo de Ezamume. Seu nome realmente mete muito medo. Nas historias tradicionais contadas aos por de sois, seu nome é respeitado e muito temido. Muita gente prefere ouvir historias de qualquer “bicho” a ter que ouvir historia de Kãwera e conseqüentemente sonhar com Ezamume – o medo mais profundo de qualquer um. 


             

sábado, 19 de novembro de 2011

Conto Maraguá

A menina e a arara

              A menina ganhou uma arara. Era bela, de cor vermelho-escuro. A ela deu o nome de Linda.
               Linda era selvagem. Ela havia sido capturada , quando sem poder, debaixo de uma bruta chuva, via seus dias chegando ao fim quando dois rapazes que passavam por perto a viram assustada em cima de uma arvore seca. Voltaram, e deram-na de presente a menina. Ela, porém nunca se deixou domesticar.
                A menina passava horas tentando fazer amizade com Linda. Dava-lhe comida, conversava com ela e procurar dar carinho, mas a arara não aceitava.
               - Talvez se ela tivesse nascido em casa. – Dizia o pai. – Quem sabe fosse diferente.
               Mas a pequena não perdia a esperança.
               Numa manhã, enquanto fazia sua primeira refeição do dia, a menina ouviu gritos de muitas araras sobrevoando a casa. Correu para ver e se deparou com uma dezena de araras pousadas próximo ao poleiro de Linda.
               Foi a primeira vez que a menina via a arara feliz. Ela gritava e se debatia tentando escapar da linha que a prendia ao poleiro. Mesmo assim era como se estivesse entre as demais.
               Elas ficaram ali e depois voaram para bem longe. A arara voltou a ficar triste.
Pensativo a menina soltou a arara para ficar livre das amarras.
               -Mas se ela fugir? – Disseram.
               A menina não tinha escolha. Queria ver a arara feliz.
               No outro dia, apareceram novamente as mesmas araras. Sua arara, alegre voou e foi estar com as outras na copa da arvore.
               No por do sol, elas voaram e foram embora, mas a arara da menina ficou. Voltou para o poleiro. Foi a primeira vez que a menina pode dar comida em seu bico e fazer cafuné em sua cabeça.
              A menina entendeu então a importância da liberdade. Contente ele foi dormir. Só não imaginava que aquela seria a ultima noite em que a arara estaria com ela.
              Na terceira vez em que suas irmãs araras foram lhe visitar, chegando o por do sol, quando elas foram embora, a arara foi junto. A menina olhando, se pos a chorar.
               Dias passaram, até que numa vez, sem esperar as araras voltaram. A menina correu para ver e reconheceu sua amiga arara em meio às outras. A arara voou até o poleiro e como estivesse se despedindo deixou a menina afagar-lhe mais uma vez sua cabeça. Depois retornou a copa da arvore. Quando a noite chegou, voou junto com as outras. Dessa vez se foi embora para nunca mais voltar.



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O POVO DAS HISTORIAS DE ASSOMBRAÇÃO



                 Conhecidos por suas historias de fantasmas, os Maraguás tem em sua mitologia uma rica e variada cultura de seres e visajes. Desde criança, quando passam a ouvir as historias tradicionais, os maraguás se dedicam a contação de historias.                                
                Aprimorar a arte valorizando o suspense passado nos melhores horários é sempre o desejo dos contadores de historias. Historias de fantasma é o bom nos momentos de descontração, principalmente aos por de sol.
             Quando chega a noite e a escuridão toma conta da aldeia, os adultos vão se achegando a mirixawaruka – casa de conselho, e aos poucos é iniciada a sessão de historias que pode durar horas – boa parte da noite. As crianças também têm seus momentos de contação de historias, que são as fabulas e contadas geralmente pelos malylis ou outros contadores de historias. Mesmo assim, preferem a sessão dos adultos, onde as visajes ganham temas especiais.
               Na mitologia, as entidades têm grande importância para a natureza. As visajes também, mas algumas são malignas por demais deixando a proteção do meio ambiente em segundo plano. As visajes e seres fantásticos da natureza são muitos e todas habitam a crença dos moradores do rio Abacaxis.
             Sendo base da antiga religião, as entidades se dividem em classes segundo a ordem dos seres e de seus poderes. Alem dos deuses Anhãga e Monãg, do semi-deus Wasiry e dos espíritos protetores Tapirayawara, Çukuywéra, Ka’apora’rãga, Pirá’ákãg, Yanawy e Kaçawawaçú’rãga, (que fazem parte das histórias de origem e são tidos como sagrados) existem as entidades que dão medo:
             Waurãga  – Que em língua sateré recebe o nome de “ga’apy’sy” são as mães-da-mata que protegem seu espaço e o lugar onde habitam. 
             Wãkãkã ou Myra’ãga – são as visajes (assombrações e fantasmas) propriamente ditas. Procuram só fazer o mal. Os que pertencem a essa classe são: Kunhãgwera, Pó-kwára, Pi~to-piroka, Ipuré, etc.
            Seres – são entidades cujos corpos mais se aproximam do ser humano. Eles são muitos, os principais são: Guayára, o Mapinguary, os Jumas e os Kurupyras. 
           Encantados - São seres que não foram criados por nenhum deus ou semi-deus. Segundo a religião Urutopiãg, já existiam antes de haver mundo. São eles: A Pirayba, a Jiboia, a Boiaçú e os Wiára – ou botos-gente (também chamados de companheiros do fundo) que habitam as cidades encantadas do fundo dos rios amazônicos.
         Waurá-kãkãnema – são os amimais propensos a manifestação das visajes denominadas Waurá-anhãga (visajes que precisam de corpos para se manifestar), das waurãga ou de pessoas que por pacto com o espírito mal, são capazes de se transformarem em visajes e assim “malinar” dos caçadores, dos pescadores ou qualquer pessoa que tenha despertado sua raiva.